Evolução das comunidades de coworking no Brasil

Foi em meados de 2008 que começamos a ouvir sobre coworking no Brasil e, a partir daí, surgiram pequenas comunidades — de forma online ou em eventos. Como tudo começou? Como cada responsável está agora? Fomos atrás dessas respostas!

Evolução das comunidades de coworking no Brasil

Por aqui, sempre falamos da importância de criar uma comunidade colaborativa em seu coworking. A ideia não é apenas atrair cada vez mais profissionais, mas ser capaz de reter aqueles que chegam ao seu espaço, aproveitando o contato para criar integração entre eles. E falar de comunidade coworking hoje só é possível porque o setor passou por uma grande evolução. Saiba os mínimos detalhes dessa história nesse artigo.

O início dos debates sobre coworking na rede

Logo no começo, as discussões sobre coworking no Brasil aconteciam principalmente em comunidades virtuais. O Grupo Coworking, do Google, foi um ponto de partida. Apesar de não ser em português, alguns brasileiros começaram a se encontrar por lá. Mais de 13 anos depois, agora as discussões globais acontecem em um espaço próprio.

Diante da necessidade de assuntos que considerassem as necessidades e os interesses do mercado brasileiro, Cadu de Castro Alves criou o primeiro fórum nacional. Hoje ele não existe mais, mas sem dúvida, foi um dos responsáveis por trazer informações relevantes para empreendedores, coworkers e entusiastas do assunto.

Quanto ao processo de criação da comunidade, Cadu conta que a ideia surgiu da sua afinidade pelo tema, ao realizar um trabalho na faculdade. Após criar uma comunidade chamada Coworking Rio, mais pessoas foram se juntando ao ambiente virtual, inclusive o primeiro sócio dele.

“Eu conheci o meu primeiro sócio por meio dessa comunidade. Ele tinha feito uma viagem para os Estados Unidos, conheceu o modelo de negócio de coworking lá e voltou decidido a investir nesse mercado. Quando ele pesquisou na internet, encontrou essa comunidade, a gente acabou se encontrando várias vezes, até que finalmente a gente abriu o BeesOffice [primeiro coworking do Rio de Janeiro]. Foi uma experiência bem interessante”, conta.

Assim como ele, o encontro virtual também serviu como pontapé inicial para outros fundadores dessa fase.

“Entre as pessoas que participaram dessa comunidade, algumas acabaram abrindo um coworking, outras não abriram, mas foi, realmente, o início da comunidade Brasil”, enfatiza.

O grupo teve uma grande relevância na história das comunidades, pois reuniu pessoas interessadas no mesmo tema, para que essas pudessem trocar referências e impressões de outros lugares e pontos de vista, o que ampliou e muito o potencial de exploração dos membros.

“Foi muito importante a criação dessa comunidade para, efetivamente, atrair quem estava interessado em investir nesse mercado e também unir as pessoas que já estavam se aventurando nesse segmento, para que todas pudessem trocar experiências”, conta.

Depois de um tempo, houve uma mudança de endereço eletrônico do Ning – onde começou – devido ao preço da plataforma. A migração para o Google Groups, que é gratuito, foi natural e conveniente. Por fim, Cadu diz que “as pessoas acabaram migrando para outras plataformas, como WhatsApp e o Facebook Grupos”, justificando o encerramento do fórum.

A comunidade de coworking no mundo dos blogs

Em 2008, os blogs estavam começando a ser canais de divulgação em popularização e com papel relevante na construção de comunidades, como fazem hoje as redes sociais com suas ferramentas de grupos, painéis e etc. Então, o tema coworking também ganhou seu espaço por aí.

Criado por Anderson Costa, o Movebla foi um dos primeiros sites a cobrir o mercado de espaços colaborativos, criado por alguém que não fosse um empreendedor direto do segmento.

A seção exclusiva sobre coworking no blog dele, teve seu último artigo publicado em 2019. E foi ele quem desenvolveu as duas primeiras edições do censo sobre o mercado brasileiro. A partir da terceira edição, o time do Coworking Brasil assumiu as responsabilidades e mantém a pesquisa informativa até hoje.

Anderson conta que o projeto surgiu graças às suas primeiras experiências trabalhando em casa – e por isso, começou a retratar esse cotidiano e buscar escritórios que estavam acolhendo profissionais como ele. Além de se conectar com muitos profissionais, entre empreendedores e coworkers, ajudou a desenvolver o mercado por meio da informação.

“Tenho certeza que minha melhor contribuição foi o censo, porque por meio dele consegui dar uma 'cara' para esse mercado. Ou seja, foi possível mostrar do que se tratava esse mercado e representá-lo com números reais, desde as possibilidades de retorno, média de investimento, número de espaço, distribuição no Brasil e muitos outros dados importantes. Com isso, os investidores puderam avaliar se deveriam entrar ou não e entender melhor o que o mercado precisava", pondera.

A respeito do futuro, Anderson diz ter definido outras prioridades e projetos, mas percebe um amadurecimento no mercado e na comunidade. No que diz respeito à pandemia, levanta uma reflexão do setor e da comunidade.

“Com todo mundo trabalhando remoto, as pessoas estão repensando esse conceito de colaboração. Como é que você trabalha de uma forma colaborativa sendo que você não tem a presença física? Parece fácil, mas não é. Creio que voltamos ao ponto de partida da discussão sobre 'o que é coworking' e ponderar que a comunidade não é só sobre cadeira e mesa. A ideia é dar mais importância para as conexões entre os membros, do que para o espaço físico", finaliza.

A comunidade colaborativa reunida

Ainda por volta de 2008, a discussão do mercado de coworking não se restringiu ao ambiente online. Foi nessa época que aconteceu o primeiro Encontro Coworking Brasil, que logo de cara, juntou fundadores de todo o país.

Tudo começou em 2015, quando, na Virada Empreendedora, João, Laura e vários outros fundadores se reuniram para falar de coworking. Ali ficou decidida a criação do evento, organizado de modo descentralizado com o apoio de uma comissão. A partir de 2018, ambos assumiram a organização.

“Acho que o maior impacto foi criar um senso de pertencimento para a comunidade”, diz João.

Laura concorda com a visão e vai além, pontuando a importância da aproximação das pessoas e o que isso pode gerar em todo o mercado.

“Nosso primeira grande conquista foi essa: a gente passou a se reconhecer nos outros. Acho que o encontro foi o primeiro grande gatilho, depois as pessoas foram se organizando”, comentou.

Para o futuro, ambos apoiam que a ideia é continuar e alavancar a profissionalização que já vem acontecendo nas últimas edições. Diante do cenário de pandemia, isso ganha ainda mais relevância.

“Nossa intenção é entender como a gente faz para o encontro ser mais educativo para o mercado, seja ele virtual, híbrido ou presencial”, conta Laura.

João completa ao falar sobre a importância de ter uma composição realmente diversa e representativa.

“Queremos pluralizar o coworking, trazer conteúdo de todos as frentes, trazer espaços de todos os lugares. A ideia é fazer o encontro crescer em termos de diversidade — e sempre com conteúdo de empreendedor para empreendedor”, finaliza.

O primeiro grande patrocínio

Com a comunidade de coworking ganhando força, logo surgiu a primeira iniciativa apoiada por uma empresa de destaque: o Cubo do Itaú.

Imagem do projeto do Cubo – Itaú

A intenção da iniciativa era fomentar uma comunidade de empreendedores — com o diferencial de ser um prédio com 5 andares e uma estrutura que ainda não tinha sido montada antes por nenhum outro espaço no Brasil.

Por um lado, isso atraiu a atenção da mídia e ajudou a popularizar o termo e a solução. Por outro, causou apreensão nos espaços vizinhos, que temiam ser engolidos pelo gigante.

Hoje, o espaço se tornou um hub ocupado por startups, com o foco em incubação, aceleração e desenvolvimento de negócios.

Na esteira desses formatos de grande porte, o Google Campus escolheu São Paulo como a capital para receber uma de suas sedes. Novamente, o movimento chamou a atenção do mercado e alguns fundadores se sentiram apreensivos.

Assim como aconteceu com o Cubo, o Google Campus passou a focar mais no desenvolvimento de startups, que buscam um ambiente dinâmico para acelerar, validar e consolidar suas ideias e não necessariamente em 'vender' espaço para trabalhar.

O surgimento da comunidade de coworking com atuação colaborativa ganhou força a partir de 2008 no Brasil. De lá para cá, muitas iniciativas se transformaram totalmente ou até mesmo foram descontinuadas ou encerradas.

O que fica como legado, desde o primeiro fórum ou evento, são as informações e as trocas de experiências geradas, sem dúvida, necessárias para o amadurecimento do mercado como conhecemos hoje.

Relembre (ou conheça) esses e outros momentos ao compartilhar o artigo em suas redes sociais e converse sobre isso com a sua rede de contatos – não deixe o movimento morrer.

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