Por que nossos diplomas não estão valendo mais nada?

O número de jovens recém-formados sem trabalho no Brasil é grande, e muitos já começam a atuar fora de suas áreas.

Imagem Por que nossos diplomas não estão valendo mais nada?

Ok, falar que os nossos diplomas não estão valendo mais nada pode parecer um pouco drástico demais, eu concordo. Para nós, eles sempre valerão, seja pelo aprendizado que cada um tem de um curso ou do valor literal da coisa, dos milhares de reais que você depositou nesse projeto de anos.

Mas, o tema principal do debate não é o quanto um diploma (ou mais que um no caso dos pós-graduados) vale para nós, e sim o quanto ele vale para as empresas e contratantes.

Dados apontam que 49% dos ingressantes de 2010 desistiu do curso até 2014

Hoje, com todo o cenário que vem se desenhando no mercado de trabalho nacional (e, em diversos casos, internacional), o sentimento é de insegurança entre os que ainda estão investindo em qualificação para suas carreiras e também entre os recém formados.

Dados curiosos sobre profissionais com curso superior:

  • de acordo com a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), apenas 14% dos brasileiros possuem ensino superior. O índice é considerado baixo: a média costuma ser de 35%, e mesmo os países latino-americanos em desenvolvimento estão à frente do Brasil (Chile tem 21%; Colômbia tem 22%; Costa Rica tem 23%);
  • segundo o Sindicato das Mantenedoras de Ensino Superior (Semesp), menos da metade das pessoas graduadas nos últimos dois anos está atuando em sua área de formação;
  • cerca de 34% dos egressos da graduação não estão trabalhando;
  • aproximadamente 18% dos graduados nos últimos dois anos atuam em áreas distintas;
  • a metade dos entrevistados pelo Semesp recebe menos de R$ 3 mil por mês;
  • um número alarmante foi apontado em estudo recente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep): 49% dos ingressantes de 2010 desistiu do curso. Segundo os dados, 11% abandonaram o curso já no primeiro ano e até 2014 quase metade havia desistido.
  • os cursos EAD já representam cerca de 17% de todos os alunos de graduação — a modalidade de ensino foi a que mais expandiu no país, seguindo a tendência mundial da tecnologia e conectividade.

Faculdade: um sinônimo de sonhos frustrados para os jovens?

Atualmente, eu diria que uma graduação pode ser mais uma incerteza do que uma certeza. Principalmente para quem sai do ensino médio diretamente para uma universidade.

Pois, imaginem como se sentem os jovens de 18 anos que entram em uma faculdade para tentar encontrar a vocação de suas vidas e, quanto mais perto do final do curso chegam, mais em dúvida estão — obviamente isso não é regra, mas há uma tendência, como apontam os números citados acima, de que os profissionais comecem a se afastar de suas áreas de formação.

diplomas não estão valendo mais nada

Adicione a esse constante dilema ao fato de que, já durante o curso, em grande parte das áreas de atuação, os estudantes começam a perceber uma certa dificuldade de entrar no mercado. E, quando conseguem se inserir, costumam se sujeitar a vagas de estágio com cargas horárias abusivas e remunerações nada compatíveis ao esforço empregado.

E, conforme a colação de grau vai se aproximando, começa a surgir a dúvida: “serei contratado na empresa em que faço estágio?” ou “conseguirei um emprego de carteira assinada na minha área?”. O fato é que a insegurança existe e tem razão para isso, já que, cada vez mais, diploma não é sinônimo de trabalho na área — muito menos de bons salários.

Em Portugal, por exemplo, no ápice da crise dos últimos anos, mais de 30% dos jovens com ensino superior não tinham emprego. Isso porque o período pós formatura é um dos mais delicados em uma carreira, uma vez que você está no meio termo entre a inexperiência e o especialista consolidado na profissão. Portanto, quando existem cortes ou na dúvida entre quem contratar, o jovem sai perdendo.

Se você quer conferir outros insights e dados sobre o assunto, dá uma olhada neste post aqui, que traz algumas estatísticas e entrevistas bem interessantes para o debate.

Por aí, por que você acha que nossos diplomas estão sendo cada vez menos valorizados? Como está a sua área de atuação?

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