Coworking na prática: infraestrutura de TI

O desafio entre velocidade, custo e disponibilidade.

Imagem Coworking na prática: infraestrutura de TI

Este artigo faz parte de uma nova série aqui no Coworking Brasil, onde vamos abordar pontos práticos de como montar ou melhorar a estrutura do seu espaço. Não deixe de comentar no final o que você achou dessa iniciativa 🙂

 

A infraestrutura de comunicação de dados é importante para qualquer empresa, mas para um Coworking se torna imprescindível para atrair e satisfazer os clientes.

Para tratar deste assunto, precisamos antes, compreender um pouco mais algumas particularidades de um ambiente de Coworking.

Normalmente os usuários de um Coworking são muito antenados e utilizam a internet como base para o desenvolvimento e realização de seus negócios. Costumam ter mais de um dispositivo com acesso à rede – notebook, tablet, smartphone – e geram um enorme tráfego, pois são usuários de redes sociais, utilizam diversos meios de comunicação – facebook, Skype, youtube, armazenamento de arquivos na nuvem, etc.

Se temos 20 pessoas utilizando uma rede no coworking, teremos pelo menos 50 dispositivos utilizando a internet

Todo este tráfego requer um cuidado maior na hora de desenvolver um projeto de rede para um Coworking,

O que encontramos, geralmente, são soluções de compartilhamento de internet com roteadores comuns, de uso doméstico ou do tipo “home/office”. Estes roteadores foram desenvolvidos para um menor fluxo de dados e não suportam a quantidade de dispositivos e de acessos simultâneos exigidos por um Coworking.

Por exemplo, se temos 20 pessoas utilizando uma rede no Coworking, teremos pelo menos 50 dispositivos acessando a rede e a internet. Dependendo do tipo de tráfego e da forma como os usuários estão conectados – se por rede cabeada ou pela rede WI-FI – todos iremos sentir uma degradação no acesso à internet – principalmente quem utiliza a rede WI-FI.

O que temos acompanhado em alguns projetos de infraestrutura de coworkings é o uso de equipamentos sofisticados, dimensionados para atender a uma demanda maior de acessos por redes WI-FI, mas estes equipamentos exigem maiores investimentos.

Quando montamos o a rede da Blocktime Coworking, tivemos alguns cuidados em oferecer uma rede acessível, segura e estável buscando um orçamento que coubesse no nosso bolso. Basicamente, 4 cuidados que descrevo a seguir.

1. Acesso à internet

Procuramos contratar pelo menos 2 links de alta velocidade e com operadoras distintas – no nosso caso – VIVO e TIM. A região em que estamos é bem servida por todas as operadoras e conseguimos contratar links em fibra ótica de 200Mb e de 70 Mb. Contratamos ainda um 3º link com a NET para redundância. Dedicamos um link somente para o acesso via WI-FI.  Estas decisões proporcionaram uma boa vantagem competitiva com custos aceitáveis.

Atualmente, eu recomendo a qualquer empresário, que antes de assinar um contrato de locação ou comprar um imóvel para seu negócio, avalie se há uma boa infraestrutura de telecomunicações. Hoje é um grande desafio encontrar lugares que tenham uma boa internet, ou até mesmo telefonia, com valores aceitáveis.

Em muitos casos, não restam alternativas a não ser contratar links dedicados, mas aí, pesam os custos de arcar com estes links melhores e mais caros e repassar os custos nos valores aos coworkers.

2. Infraestrutura

É importante adotar alguns cuidados com cabeamento e utilização de roteadores “caseiros”. Estes não permitem o uso de recursos como redundância de links e balanceamento de carga, imprescindíveis para manter o acesso à internet funcional e acessível aos usuários.

A melhor forma de obter performance em uma rede de dados é utilizar equipamentos específicos para cada atividade – roteadores efetuam o compartilhamento da internet e os switches e antenas de WI-FI distribuem a rede para os diversos dispositivos. Vale o velho ditado:  cada macaco no seu galho!

Cabeamento

Posso parecer jurássico, mas sou adepto ao cabeamento. Além da velocidade e a qualidade do tráfego, o cabeamento proporciona uma equalização melhor da rede, uma vez que os equipamentos – switches, roteadores – possuem recursos de gerenciamento, armazenamento temporário e priorização de tráfego, tornando o ambiente mais estável e fluído. Numa rede cabeada, o tráfego vai ser transferido por uma via única, ou seja, a comunicação entre os dispositivos conectados por cabos e a internet, por exemplo, não será disputada ou dividida com outros dispositivos, deste modo, o tráfego flui mais rápido e libera a rede para outros usos mais rapidamente.

Rede sem fio – WI-FI

A rede WI-FI é eficiente, porém é uma rede compartilhada, ou seja, quanto mais dispositivos conectados a uma antena, menor o tráfego, uma vez que todos irão utilizar o mesmo “canal” para transmitir seus dados. Costuma ser uma das maiores queixas num coworking e, para atender melhor esta demanda, precisamos de equipamentos que nos permitam suportar uma quantidade maior de dispositivos e de distribuir o uso entre eles, garantindo um uso mais balanceado.

O uso de equipamentos dedicados para redes WI-FI, mais conhecidos com APs (Access Points) – tais como CISCO, UBIQUITI e PEPLINK – proporcionam o melhor uso destas tecnologias, promovendo o balanceamento de equipamentos entre antenas, impedindo assim que todos utilizem uma única antena para trafegar os dados, promovendo uma distribuição mais equilibrada do sinal.

Sim, existem equipamentos bons de outros fabricantes, o mais importante a considerar é que sejam equipamentos de uso corporativo, afinal você está oferecendo uma rede de dados para empresários e não para uso em casa.

Outro fator a considerar é a distribuição das antenas pelo ambiente. Materiais como concreto, encanamento de água, vidro são elementos que interferem e comprometem a propagação do sinal pelo ambiente.

Assista este vídeo para entender como o sinal de internet se propaga pelo ambiente. –  Um bom estudo sobre a distribuição das antenas e dos ambientes, nos auxilia em muito a fazer um projeto mais adequado a cada situação.

Abaixo, seguem alguns exemplos de equipamentos – e referência de valores – que podem ajudar nos cálculos de uma infraestrutura para conexão com a Internet e uma rede WI-FI:

Primeira opção:

como fazer a infraestrutura de TI

Roteador dual WAN com WI-FI – PEPLINK Balance ONE  – US$ 479,00
Antena WI-FI e Alimentador de energia para a antena – US$ 257,06

Total: US$  993,12 a US$ 1.150,00 (impostos e frete)

Segunda Opção:

roteador-para-coworking-2

Roteador CISCO RV325 – US$ 235,00
Antena WI-FI – US$ 109,00

Total: US$ 562,00 a R$ US$ 650,00 (impostos e frete)

Com certeza, existem outras soluções e equipamentos melhores e mais robustos, mas os valores também serão bem diferentes.

Soluções com equipamentos de alta capacidade como Cisco Enterprise, HP Networking, ruckus, são excelentes soluções, mas requerem investimentos mais elevados.

3. Instalações elétricas

Outro ponto bastante importante – e muitas vezes negligenciado – é dar a devida atenção à rede elétrica e medidas de contingenciamento. A estrutura elétrica dever ser dimensionada para atender às demandas de um local com consumo elétrico razoável, com muita capilaridade e distribuição.

A adoção de medidas de proteção, tais como aterramento, estabilizadores, no-breaks, para-raios e demais itens de segurança são necessários para proteger os equipamentos de rede, e garantir sua continuidade por um determinado tempo no caso de variação ou falta de energia elétrica.

4. Gerenciamento de rede, proteção e manutenção

De nada adianta uma rede bem estruturada, sem gerenciamento, controle e proteção. O gerenciamento da rede é importante para garantir disponibilidade, monitorando e identificado falhas, protegendo contra tentativas de ataques oriundas da internet e de equipamentos sem proteção, ou invadidos.

Não podemos garantir a integridade de todos os equipamentos que se conectam à rede de um Coworking, mas temos a obrigação de proteger os equipamentos utilizados na gestão do coworking, adotando sistemas de identificação de falhas, como firewalls, sistema de antivírus atualizados, proteção aos dados (com senhas, copias de segurança), além do uso de programas licenciados de monitoramento de todo ambiente, o que nos permitam identificar falhas e adotar as medidas corretivas e preventivas necessárias.

A tecnologia evolui a passos largos. Para atender às necessidades do coworker precisamos ficar atentos a novas tecnologias que possam facilitar o gerenciamento e controle do uso dos espaços, de modo a facilitar o acesso às dependências do Coworking.

Tecnologias como fechaduras digitais com integração a smartphones, dispositivos de identificação de usuários, com tecnologia bluetooth, internet das coisas (IOT), RFID, são novidades que vem reduzidos seus custos constantemente e que podem vir a fazer parte de nossos negócios mais cedo do que imaginamos.

Daí a necessidade de ficarmos atentos às inovações e as novas necessidades que surgem diariamente em nossos negócios para conseguirmos atender aos anseios e necessidades de nossos clientes.

Leia também:

O primeiro artigo da série Coworking na Prática foi produzido pelo time da Blocktime Tecnologia. Conheça o trabalho deles aqui.

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