Além de se preocupar com a localização, com a estrutura e com as funcionalidades, é preciso ter atenção com a ergonomia em coworking.

Afinal, essa é a área que estuda a nossa relação com o ambiente e com o trabalho. Favorecê-la, portanto, significa pensar no conforto, no bem-estar e até na segurança.

Essa questão pode fazer com que um profissional escolha o seu coworking em vez de outro. Da mesma forma, pode ser o motivo de saída de quem não encontrou conforto no espaço. Inclusive, é um diferencial sobre espaços genéricos, como cafés, shoppings e áreas com internet gratuita. Como parte do seu core business, não é possível deixar para depois.

Por isso, separei algumas dicas para que você possa alcançar bons resultados!

Legislação como referência

Embora o coworking não seja um local como um escritório tradicional, é possível usar a legislação vigente sobre ergonomia. Para os empregadores, a Norma Reguladora 17 (NR-17) é a que trata do assunto.

Há a chance de adotá-la como referência para saber quais pontos são mais relevantes, rumo a um ambiente confortável e que favoreça a experiência de todos os coworkers.

Também é válido usar as indicações da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). Já que a instituição é referência no assunto, é possível estabelecer parâmetros para a composição ou adaptação da área compartilhada.

Priorizando funcionalidade sobre forma do mobiliário

Quando falamos em ergonomia, uma das principais preocupações envolve os itens de mobiliário. Afinal, os móveis fazem parte da jornada dos seus coworkers e podem ter grande influência na maneira como seu espaço será percebido.

Para acertar nas características ergonômicas, a recomendação é priorizar funcionalidade sobre a forma. Sim, o visual é importante para compor a decoração, mas não deve ser seu principal critério para decisão. Em vez disso, o foco deve estar no uso de cada item.

Na hora de escolher as cadeiras, é possível ter como referência a norma técnica NBR 13962:2002.

Na norma, estão especificadas as alturas mínima e máxima, o ângulo máximo de inclinação, a estabilidade exigida e os componentes desejáveis, como os apoios para braços. Além disso, as cadeiras devem ter sido submetidas a testes de esforço, de modo a garantir a durabilidade, a estabilidade e a segurança.

Também é preciso pensar em mesas, bancadas e outros elementos de apoio. Para o trabalho sentado, as mesas devem ter a altura ideal para utilizar o computador ou realizar algum tipo de anotação, por exemplo.

Mas não se esqueça de que alguns coworkers podem preferir o trabalho em pé.

 

 

 

Então, sim, é necessário buscar mesas ou bancadas mais elevadas para atender às demandas, bem como o modelo conhecido como standing desk. Esse tipo já foi até objeto de estudo publicado por Harvard, em que é possível assumir que a troca de posição do trabalho pode até ajudar a manter o corpo mais saudável.

Iluminação que faz a diferença

A ergonomia de um espaço depende, ainda, do nível de iluminação que é oferecido no ambiente de trabalho. Afinal, o conforto visual é uma característica essencial para aumentar as chances de retorno dos coworkers.

Quanto às fontes de luz, a iluminação natural deve sempre ser priorizada. Não apenas ela valoriza todo o lugar, como pode ajudar a criar uma sensação melhor de aproveitamento do espaço. É por isso que o uso de grandes janelas desobstruídas, de clarabóias ou de outros pontos de passagem de luz são interessantes.

No entanto, não se pode depender apenas da luz que vem do lado externo. Um bom projeto luminotécnico se faz necessário para que o espaço seja aproveitado da melhor maneira.

Então, convém pensar em pontos de iluminação compartilhada e de iluminação focal, como luminárias e arandelas. Peças articuladas, inclusive, podem ajudar na composição do ambiente de acordo com o uso de cada coworker.

É necessário se preocupar com a intensidade e com a temperatura. Lâmpadas muito fortes podem causar reflexos que geram problemas com a nitidez das imagens, por exemplo.

Já a temperatura pode trazer sensações diversas, mas também alterar percepções. Uma luz amarelada costuma dar a sensação de aconchego, mas tende a não ser tão interessante com quem requer precisão de cores.

Por isso, o ideal é ter flexibilidade para alcançar o equilíbrio. Uma área com iluminação criativa pode ser compensada por espaços com luzes neutras, por exemplo.

Unindo projeto arquitetônico e climatização

Já que estamos falando de conforto, é importante pensar na sensação térmica do seu coworking. Além de ter tudo a ver com ergonomia, é uma condição relevante para que os coworkers queiram retornar, certo?

Para favorecer essa característica, a arquitetura do espaço tem um papel determinante. O layout aberto, com a redução do uso de divisórias e mesmo de pilares, favorece a circulação de ar. Com isso, evita-se a formação das chamadas ilhas de calor no ambiente.

Também é uma forma de obter mais eficiência energética, em termos de climatização. Diante do uso de ar-condicionado, a temperatura de um espaço aberto é mantida em níveis agradáveis com maior facilidade.

Então, vale a pena repensar o uso daquelas divisórias ou de elementos que interrompem o fluxo se eles não forem realmente necessários.

Acústica também é importante

A ergonomia em coworking envolve, ainda, um componente que requer maior atenção: a acústica — e ela pode ser otimizada de diversas maneiras.

Primeiramente, é possível pensar no isolamento acústico, ainda que parcial, de todo o ambiente. Com mantas ou placas acústicas e janelas com proteção reforçada, podemos isolar os ruídos externos ou, ao menos, parte deles. Isso pode ajudar na concentração, no foco e na imersão dos coworkers.

Em pontos especiais, como a sala de reunião, há como utilizar cabines acústicas e outras soluções de isolamento. Isso evita que a comunicação externa afete o local que deve ser mais reservado, impedindo que a troca (que é positiva!) entre profissionais gere algum problema ou desconforto.

Tecnicamente, o drywall costuma ajudar o tratamento acústico, por permitir a instalação eficiente de forro acústico em diversos pontos, como no teto e em possíveis divisórias.

Além de tudo, é possível pensar na sonorização. O uso de algum tipo de ruído branco pode favorecer a concentração e até a criatividade de alguns profissionais.

Cada espaço com suas necessidades

Ao mesmo tempo, queremos que você tenha atenção com uma questão: cada coworking é único. Então, cada lugar tem necessidades específicas e que devem ser consideradas para que ele seja, realmente, ergonômico.

Afinal, um coworking em uma grande metrópole pode exigir mais tratamento acústico que um espaço em uma cidade do interior, que costuma ser mais tranquila. Da mesma forma, um coworking em região de clima frio deve buscar questões diferentes sobre a climatização, em relação a um local em que faz sol o ano inteiro.

Recomendamos pensar antes de tudo no seu segmento e o que público busca. Um coworking de projetos, utilizado por arquitetos, terá necessidades diferentes de um espaço usado por outros profissionais. Quando o foco está em ambientes híbridos, é preciso ter ainda mais cuidado com a versatilidade.

A ergonomia em coworking é um daqueles elementos que podem ser responsáveis pelo sucesso do seu espaço e da parceria com os coworkers.

Adote soluções técnicas eficientes e que façam sentido para seu lugar. Algumas mudanças simples já podem causar o impacto esperado, sendo necessário apenas se colocar no lugar do coworker — como ao adquirir a cadeira mais confortável em vez da mais bonita.

Para ter orientações técnicas para acertar nas compras do mobiliário, confira o Guia de Ergonomia elaborado pela Fiocruz!

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